Artigo: relação do Cone com o Operation Walk

img_6472Operation Walk

Marcos Roberto Dubeux

Há alguns anos, devido a uma lesão de joelho, e por apresentação de um parceiro americano, conheci em Chicago o Operation Walk. O grupo tem como objetivo a prestação de serviços médicos gratuitos para devolver a capacidade de andar aos pacientes. Foi fundado há vinte anos, e hoje possui 15 versões que já atenderam, no total, mais de 10.000 pessoas em uma centena de viagens a 20 países em desenvolvimento, como a China, a Índia, o Equador, Vietnam, Nepal – e agora, também no Brasil.

O Operation Walk Chicago realizou as 46 cirurgias gratuitas de próteses no mês passado no Cabo de Santo Agostinho. Chicago sedia o maior centro de reabilitação do mundo, fundado em 1954, criado dentro da universidade Northwestern e impulsionado a partir de doações da família do ex-presidente JFK. Os impactos que os pacientes com necessidade de reposição articular acarretam para as economias de nações em desenvolvimento podem ser compreendidos à luz do Operation Walk. Esses pacientes, na maior parte dos casos, estão em idade produtiva confinados em cadeiras de rodas e muletas. A impossibilidade para trabalhar compromete suas famílias e as gerações futuras. A implantação de próteses em quadril e joelho é considerada a de melhor custo-benefício na ortopedia. No entanto, por se tratar de uma cirurgia de alta complexidade e cara (em média, R$ 200 mil cada), é pouco acessível para a população de baixa renda. No Brasil, o SUS não tem como atender a uma demanda que reúne, apenas em Pernambuco, um contingente de 2.000 pessoas em lista de espera.

Os cinco dias de procedimentos no Hospital Dom Helder Câmara ficaram na memória de todos que acompanharam a emoção dos 38 pacientes e a dedicação dos 53 americanos que utilizaram suas férias para realizar esse trabalho. Tive a oportunidade de conhecer de perto casos de caminhoneiros, operários, pais e mães de família que esperavam a chance de se operar há anos. Daniele, 35 anos, devido a uma queda aos 15, esperava por uma chance. Erivan, por conta dos efeitos da Síndrome de Guillain-Barre, não podia sentar-se ou afivelar o sapato sem dor. Matheus, com 18 anos, não conseguia andar devido ao tratamento de leucemia.

A missão em Pernambuco foi marcante. No curto e médio prazos, articula-se um acordo de cooperação entre o Operation Walk, a Universidade Northwestern, a Secretaria Estadual de Saúde, o Hospital Dom Helder Câmara e o centro Mens Sana da Fundação Terra para novas missões e transferência de conhecimento. No longo prazo, a criação de um centro de reabilitação no Cabo seria consequência desse esforço conjunto.

Diversas empresas e pessoas apoiaram a vinda do Operation Walk pela primeira vez ao Brasil. Aprendi com o Padre Airton Freire que não basta doar, é preciso se doar. E o que vi nessa iniciativa foi que o bem sentido por quem é destinado a realizar uma graça é maior ou igual ao de quem a recebe. Os estudantes que esperavam aprender novos protocolos e técnicas, aprenderam como tratar o paciente, e descobriram no projeto uma obra de amor ao próximo. Nos corredores do Hospital existem citações incríveis do arcebispo emérito de Recife e Olinda, Dom Helder Câmara. Uma não vou esquecer: “Quando os problemas se apresentam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes.”

Marcos Roberto Dubeux é empreendedor.

Confira o link do artigo no Diario de Pernambuco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s